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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

velho

(Catarina Fernandes 2007)

Prendo-me ao passado como os velhos, como se já não tivesse esperança no futuro.
Por momentos também eu paro no autocarro a ver as crianças correr para os braços das mães, com aqueles olhos cheios de alguma descoberta incrível para contar
O tempo passa quase que me corre por entre os dedos como a criança do autocarro, Já não me vejo com forças para correr atrás dele, nem com garra para batalhar.
O mundo é cruel quando nos tiram o tapete dos pés e caímos de cara com o nível que verdadeiramente devíamos estar, mesmo junto ao chão, ver qual sujo e baixo ele é, depois disso, depois de saber que todos os dias havemos de caminhar sobre ele, não nos restam mais os pensamentos das terras distantes, do incrível, e das estranhas historias de animais voadores, as pessoas velhas já não nos espantam, começamos a sentimos-nos apenas acomodados com a realidade, que estamos a envelhecer, que o chão sempre esteve debaixo de nós e o céu continuara sempre a ser inalcançável.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Deixa o tempo morrer


 (Catarina Fernandes 2009)

Deixa o tempo correr, desta vez juro que não vou atrás dele, ele é louco, não sabe medir os passos que da, fugaz o meu imaginário na sua presença, triste a memoria do seu encontro.
Não seria tudo bem mais fácil, só por esta vez admitir que ele não existe, limitar o momento ao espaço e sentimento, elevando a ânsia e o desejo, esquecendo o tempo, liquidando o tempo. Matando-o.
Só assim é que ele poderá desvanecer-se, sem necessidade de coexistência.
Deixa o tempo morrer para que no fim reste apenas uma cama por fazer.
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